Monarco da Portela

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MONARCO DA PORTELA

O guardião da memória que fez da Portela sua vida e seu samba

Hildemar Diniz, eternizado como Monarco, nasceu em 17 de agosto de 1933, no Rio de Janeiro. Nascido em Cavalcanti e criado também em Nova Iguaçu, mudou-se posteriormente para Oswaldo Cruz, onde passou a conviver diretamente com o universo da Portela. Recebeu o apelido de Monarco ainda menino e, aos 11 anos, já criava seus primeiros sambas para blocos do subúrbio carioca.

Em 1950, ingressou na tradicional Ala de Compositores da Portela, tendo como padrinho e incentivador Alcides Malandro Histórico. A partir daí, sua história tornou-se praticamente inseparável da escola azul e branca. Monarco conviveu com antigos mestres portelenses e tornou-se uma das principais pontes entre as primeiras gerações da agremiação e os sambistas que vieram depois.

Em 1970, participou do histórico álbum Portela, Passado de Glória, produzido por Paulinho da Viola para registrar a obra dos grandes compositores da Velha Guarda. O disco incluiu “Passado de Glória”, de sua autoria, e ajudou a apresentar ao grande público aquele patrimônio musical preservado nos terreiros de Oswaldo Cruz e Madureira.

Entre suas composições mais conhecidas estão “Coração em Desalinho”, “Vai Vadiar”, “Passado de Glória” e “O Quitandeiro”. Algumas ganharam enorme projeção nas vozes de outros intérpretes, especialmente Zeca Pagodinho. Monarco também liderou a Velha Guarda da Portela e recebeu diversas homenagens por sua contribuição à cultura e ao samba.

Monarco morreu em 11 de dezembro de 2021, aos 88 anos. Mais do que cantor e compositor, tornou-se um verdadeiro guardião da tradição portelense. Em sua voz estavam os sambas, as histórias e as lembranças de uma geração inteira — como se a própria memória da Portela tivesse aprendido a cantar.

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