Bezerra da Silva

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Bezerra da Silva

A voz do morro que transformou a realidade em samba

José Bezerra da Silva nasceu em 23 de fevereiro de 1927, no Recife, Pernambuco. Ainda menino cantava coco e tocava zabumba. Aos 15 anos seguiu para o Rio de Janeiro, onde enfrentou uma vida difícil, trabalhando na construção civil e vivendo no Morro do Cantagalo. Aos poucos, aproximou-se definitivamente da música, tocando tamborim, surdo e outros instrumentos de percussão.

Antes de se consagrar como cantor, Bezerra trabalhou profissionalmente como instrumentista e chegou a integrar a Orquestra da TV Globo. Seus primeiros discos foram dedicados ao coco, mas foi no partido-alto que encontrou a linguagem que faria dele um dos personagens mais originais do samba brasileiro. A partir da série Partido Alto Nota 10, sua voz e seu jeito irreverente começaram a conquistar o país.

Bezerra tornou-se conhecido por interpretar composições de autores muitas vezes desconhecidos do grande público, moradores das comunidades e trabalhadores que transformavam suas experiências em versos. Assim, seu repertório funcionou como uma verdadeira crônica dos morros cariocas, falando de desigualdade, violência, preconceito, polícia, malandragem e sobrevivência com humor, ironia e crítica social.

Entre seus grandes sucessos estão “Malandragem Dá um Tempo”, “Pega Eu Que Sou Ladrão”, “Bicho Feroz”, “Overdose de Cocada”, “Defunto Caguete”, “Meu Bom Juiz” e “Malandro é Malandro e Mané é Mané”. Ao longo da carreira conquistou 11 discos de ouro, três de platina e um de platina duplo.

Bezerra da Silva morreu em 17 de janeiro de 2005, no Rio de Janeiro, aos 77 anos. Deixou muito mais do que sambas irreverentes: deu voz a compositores e personagens que raramente encontravam espaço na indústria musical. Cantando aquilo que muitos preferiam não enxergar, Bezerra fez do samba também denúncia, documento e voz das comunidades.

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