Dona Yvone Lara

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DONA IVONE LARA

A Grande Dama que rompeu barreiras e colocou a mulher entre os grandes compositores do samba

Yvonne Lara da Costa, eternizada como Dona Ivone Lara, nasceu em 13 de abril de 1922, no Rio de Janeiro — embora seus documentos tenham registrado 1921. Filha de músicos e órfã ainda jovem, estudou canto no colégio interno com Lucília Villa-Lobos e aprendeu cavaquinho no ambiente familiar. Aos 12 anos já compunha, revelando precocemente a extraordinária musicalidade que marcaria sua vida.

Sua história, porém, não aconteceu apenas nos palcos. Formada em Enfermagem e Serviço Social, trabalhou durante décadas na saúde pública e atuou na área de saúde mental, colaborando com a psiquiatra Nise da Silveira na busca por tratamentos mais humanizados. Somente depois da aposentadoria passou a dedicar-se integralmente à carreira artística.

Profundamente ligada ao Império Serrano, Dona Ivone enfrentou um ambiente em que as mulheres tinham pouco espaço entre os compositores. Em 1965, assinou com Silas de Oliveira e Bacalhau o histórico samba-enredo “Os Cinco Bailes da História do Rio”, tornando-se pioneira e abrindo caminho para outras compositoras dentro das escolas de samba.

Seu talento melódico produziu obras que atravessaram gerações. Entre seus grandes clássicos estão “Sonho Meu”, “Acreditar”, “Alguém Me Avisou”, “Nasci para Sonhar e Cantar”, “Sorriso Negro” e “Mas Quem Disse que Eu Te Esqueço”. Délcio Carvalho foi um de seus parceiros mais importantes, e suas músicas ganharam as vozes de inúmeros grandes intérpretes brasileiros.

Dona Ivone Lara morreu em 16 de abril de 2018, aos 96 anos considerando seu nascimento em 1922. Sua importância ultrapassa qualquer repertório. Ela abriu portas, rompeu preconceitos e mostrou que uma mulher podia ocupar, com absoluta grandeza, o lugar de compositora, instrumentista e referência maior do samba brasileiro.

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