Clara Nunes
CLARA NUNES
A guerreira que transformou o samba em canto de fé, ancestralidade e brasilidade
Clara Francisca Gonçalves, a Clara Nunes, nasceu em 12 de agosto de 1942, em Caetanópolis, Minas Gerais. Órfã ainda criança, trabalhou como tecelã e começou a cantar em corais e concursos. Mudou-se para Belo Horizonte, onde ganhou projeção no rádio e na televisão, até chegar ao Rio de Janeiro em 1965. Seus primeiros discos passearam por boleros e sambas-canções, mas foi ao abraçar definitivamente o samba que Clara encontrou sua verdadeira identidade artística.
A partir dos anos 1970, sua carreira ganhou uma dimensão extraordinária. Clara pesquisou ritmos, manifestações populares e tradições afro-brasileiras, incorporando à sua obra referências ao candomblé, aos orixás, ao jongo, ao samba de roda e à cultura africana. Sua ligação com a Portela também se tornou inseparável de sua imagem: foi uma das intérpretes que mais gravaram compositores da escola e eternizou essa paixão em sua trajetória.
O álbum Alvorecer, de 1974, tornou-se um divisor de águas e alcançou cerca de 300 mil cópias, ajudando a derrubar na indústria fonográfica o preconceito de que cantoras não alcançavam grandes vendagens. Vieram sucessos inesquecíveis como “Conto de Areia”, “O Mar Serenou”, “Canto das Três Raças”, “A Deusa dos Orixás”, “As Forças da Natureza”, “Ijexá” e “Portela na Avenida”.
Com sua voz cristalina, presença marcante e figurinos inspirados na cultura afro-brasileira, Clara construiu uma identidade artística imediatamente reconhecível. Também levou a música brasileira ao exterior, realizando apresentações na Europa, África e Japão.
Clara Nunes morreu em 2 de abril de 1983, aos 40 anos, após complicações decorrentes de uma cirurgia. Sua despedida provocou enorme comoção popular. Mais de quatro décadas depois, a “Guerreira” permanece como uma das maiores vozes da música brasileira — símbolo de samba, fé, ancestralidade e orgulho de nossas raízes.

