Arlindo Cruz
Arlindo Cruz
O sambista perfeito de Madureira
Arlindo Domingos da Cruz Filho, o Arlindo Cruz, nasceu em 14 de setembro de 1958, no Rio de Janeiro, e foi criado em Madureira, um dos grandes berços do samba carioca. A música estava dentro de casa: seu pai, Arlindão Cruz, tocava cavaquinho e promovia rodas frequentadas por sambistas como Candeia. Aos sete anos, Arlindo ganhou seu primeiro cavaquinho e iniciou uma relação com o instrumento que atravessaria toda a sua vida.
Ainda jovem, aproximou-se das históricas rodas do Cacique de Ramos, onde conviveu com nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Sombrinha. Na década de 1980 passou a integrar o Fundo de Quintal, grupo fundamental para a renovação do samba e para a consolidação da sonoridade que marcaria o pagode carioca. Arlindo permaneceu por anos no conjunto antes de seguir carreira solo e formar uma importante parceria artística com Sombrinha.
Compositor extraordinariamente produtivo, deixou mais de 700 músicas gravadas. Entre as obras que ajudaram a eternizar seu nome estão “O Show Tem que Continuar”, “Meu Lugar”, “Bagaço de Laranja”, “Saudade Louca” e “Castelo de Cera”. Suas composições também ganharam as vozes de grandes intérpretes, como Beth Carvalho, Alcione e Zeca Pagodinho.
Sua ligação com o Império Serrano foi outra parte essencial de sua história. Integrante da ala de compositores da escola, venceu disputas de samba-enredo e tornou-se um de seus grandes símbolos. Em 2023, o próprio Império levou para a avenida o enredo “Lugares de Arlindo”, celebrando sua trajetória.
Após sofrer um grave AVC em 2017, Arlindo enfrentou anos de limitações de saúde cercado pelo carinho da família e dos admiradores. Morreu em 8 de agosto de 2025, aos 66 anos. Deixou uma obra monumental e uma maneira única de transformar o cotidiano, o amor e o subúrbio em samba. Arlindo Cruz não apenas cantou o samba: tornou-se parte de sua história.

