Benito de Paula

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BENITO DI PAULA

O pianista que criou uma sonoridade própria e levou o samba às grandes plateias

Uday Veloso, consagrado artisticamente como Benito di Paula, nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Filho de uma família musical, teve no pai — que tocava piano, bandolim e violão — uma de suas primeiras referências. Ainda jovem mudou-se para o Rio, onde viveu no Morro da Formiga e começou a trabalhar como crooner em boates. Mais tarde seguiu para Santos e São Paulo, construindo nos palcos das casas noturnas a experiência que definiria seu estilo.

Cantor, compositor e pianista autodidata, Benito desenvolveu uma maneira incomum de fazer samba, colocando o piano no centro da batida e misturando elementos românticos, jazzísticos e populares. A sonoridade ganhou o rótulo de “sambão-jóia”, expressão da qual o próprio artista nunca gostou muito: para ele, sua música era simplesmente samba.

Foi principalmente durante os anos 1970 que Benito se transformou em fenômeno popular. Seu visual marcante — cabelos e barba longos, joias e roupas extravagantes — era tão reconhecível quanto sua maneira de tocar piano. Entre os grandes clássicos de seu repertório estão “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Do Jeito que a Vida Quer”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Vou Ficar na Saudade” e “Como Dizia o Mestre”.

O sucesso ultrapassou o Brasil. Benito realizou turnês internacionais, conquistou público em diferentes países e teve composições revisitadas por artistas de várias gerações. Sua obra também ajudou a aproximar o samba de uma linguagem romântica e popular que influenciaria artistas surgidos posteriormente.

Benito di Paula criou um lugar inteiramente seu dentro do samba brasileiro. Sentado ao piano, mostrou que tradição e inovação podiam dividir a mesma melodia — e transformou sua maneira particular de tocar, cantar e compor em uma assinatura reconhecida nas primeiras notas.

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