Almir Guineto

Doc-text-inv Doc-text-inv

ALMIR GUINETO

A voz, o banjo e a força do partido-alto

Almir de Souza Serra, o Almir Guineto, nasceu em 12 de julho de 1946, no Rio de Janeiro, e cresceu no Morro do Salgueiro, cercado pelo samba. Filho de Seu Ioiô, violonista e um dos fundadores do Acadêmicos do Salgueiro, e de Dona Fia, figura marcante da ala das baianas, Almir praticamente nasceu dentro de uma das famílias mais tradicionais do samba carioca.

Partideiro de primeira grandeza, compositor, cantor e instrumentista, Guineto ajudou a transformar a sonoridade do samba. Uma de suas maiores contribuições foi a popularização do banjo adaptado com braço e afinação de cavaquinho, instrumento que ganhou espaço nas rodas e se tornou uma das marcas do pagode surgido no Rio de Janeiro.

Frequentador das históricas rodas do Cacique de Ramos, integrou os Originais do Samba e participou da formação inicial do Fundo de Quintal, deixando o grupo após seu primeiro disco para seguir carreira solo. Em 1981 lançou O Suburbano e ganhou projeção nacional ao interpretar “Mordomia” no Festival MPB-Shell.

Sua voz rouca, a divisão rítmica inconfundível e o jeito malandro de cantar eternizaram sambas como “Caxambu”, “Conselho”, “Mel na Boca”, “Insensato Destino” e “Lama nas Ruas”. Como compositor, também deixou obras fundamentais, entre elas “Coisinha do Pai”, parceria com Jorge Aragão e Luiz Carlos, consagrada por Beth Carvalho. A música ganhou uma curiosidade histórica: em 1997, foi utilizada para “acordar” o robô da missão Mars Pathfinder, da NASA, em Marte.

Almir Guineto morreu em 5 de maio de 2017, aos 70 anos, deixando um legado que permanece vivo nas rodas de samba. Mais do que um grande intérprete, foi um dos artistas que ajudaram a definir a maneira de tocar, cantar e sentir o pagode brasileiro.

error: Site Protegido!!