Jovelina Perola Negra
JOVELINA PÉROLA NEGRA
A força do partido-alto na voz de uma verdadeira mulher do povo
Jovelina Faria Belfort, a Jovelina Pérola Negra, nasceu em 21 de julho de 1944, no Rio de Janeiro. Antes de conquistar os palcos, conheceu de perto a realidade do povo que mais tarde apareceria em seus sambas: trabalhou como empregada doméstica, lavadeira e vendedora de linguiça. Morou na Pavuna e teve forte ligação com o Império Serrano, integrando a tradicional Ala das Baianas da escola.
Partideira de enorme personalidade, frequentou rodas de samba da Zona Norte e da Baixada Fluminense e, no início dos anos 1980, participou das reuniões do Cacique de Ramos, convivendo com a geração de Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Arlindo Cruz e Fundo de Quintal. Sua voz rouca e poderosa, aliada ao talento para o improviso, fez com que fosse considerada uma das grandes herdeiras musicais de Clementina de Jesus.
O reconhecimento nacional chegou relativamente tarde. Em 1985, participou da histórica coletânea Raça Brasileira, interpretando “Bagaço da Laranja”, com Zeca Pagodinho, e sua composição “Feirinha da Pavuna”. No mesmo ano lançou seu primeiro disco solo e iniciou uma carreira que a transformaria em uma das grandes figuras femininas do pagode carioca.
Seu repertório eternizou sambas como “Feirinha da Pavuna”, “Bagaço da Laranja”, “Luz do Repente”, “Sorriso Aberto”, “Menina Você Bebeu” e “Banho de Felicidade”. Entre 1985 e 1996, participou de nove discos, entre trabalhos individuais e projetos coletivos, conquistando também um Disco de Platina.
Jovelina morreu em 2 de novembro de 1998, aos 54 anos, vítima de um infarto. Sua trajetória permanece como símbolo de resistência e autenticidade. Jovelina cantava como quem conversava numa roda: sem artifícios, com força, humor e verdade — uma verdadeira Pérola Negra lapidada pelo próprio samba.

