Milton Manhães  – 40 anos de Raça Brasileira

Produtor Fonográfico, músico e arranjador.


Um dia épico! A festa dos 40 anos do disco Raça Brasileira em São Paulo, reuniu bambas que ajudaram a construir a história deste, que é a base mais fundamental da Música Popular Brasileira. O Samba!

O Projeto idealizado por Tortinho Exalta Samba, foi realizado no Club Atlético Ypiranga dia 26 de Julho de 2025 e teve a presença de nomes como Cassiana Pérola Negra, Pedrinho da Flor, Mauro Diniz, Elaine Machado e, nada mais nada menos que o produtor fonográfico, polímata e “entidade”, Milton Manhães.

Em um encontro muito descontraído, com a presença de alguns amigos, entre eles Felipe Katatau (artista multifacetado), tive a honrosa oportunidade de “bater um bom papo” com Manhães, registrar uma enriquecedora experiencia e mergulhar em uma preciosa história, descobrindo novos projetos do artista.

“Carioca da Gema” como se intitula, Milton Manhães Zappelli, produtor fonográfico e arranjador musical, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 5 de agosto de 1945.

Uma das figuras mais importantes da música contemporânea, Milton esbanja simpatia e orgulho ao falar sobre alguns marcantes trabalhos. Em destaque, alguns de seus trabalhos:

Fundo de Quintal: Ele produziu os cinco primeiros discos do grupo, que foram essenciais para estabelecer a sonoridade e o estilo que se tornaram a marca registrada do pagode. Sua contribuição foi fundamental para o sucesso inicial do Fundo de Quintal e para o reconhecimento do gênero.

Zeca Pagodinho: Milton Manhães é frequentemente associado aos primeiros e mais importantes discos de Zeca Pagodinho, ajudando a definir a identidade musical que o transformaria em um dos maiores ícones da nossa música

Almir Guineto: Ele foi co-produtor do primeiro álbum solo de Almir Guineto, “O Suburbano” (1981), um marco na carreira do artista e no cenário do pagode.

Jovelina Pérola Negra: Manhães trabalhou nos álbuns que projetaram Jovelina nacionalmente, consolidando-a como uma das grandes vozes femininas do pagode.

Jorge Aragão: Diversos trabalhos de Jorge Aragão contaram com a produção de Milton Manhães, contribuindo para a qualidade e o sucesso de suas canções.

  Beth Carvalho: A “Madrinha do Samba” também teve discos produzidos por Manhães, evidenciando sua versatilidade e a profundidade de sua atuação na música. Álbuns como “Sentimento Brasileiro” (1980) são exemplos de suas colaborações.

Arlindo Cruz e Sombrinha: Milton Manhães produziu álbuns de Arlindo Cruz e Sombrinha, tanto em carreira solo quanto em duplas, como “Samba é a Nossa Cara” (1997).

Grupo Molejo: No pagode mais popular, Manhães também deixou sua marca, sendo responsável por produções de sucesso do grupo.


Essa lista é apenas uma amostra do vasto trabalho de Milton Manhães, que é conhecido por ter uma influência tão grande que muitos dizem que “tudo que está no mercado tem as mãos dele”. Ele foi um catalisador para a renovação e popularização do samba e pagode, trazendo inovações nas mixagens e na valorização da percussão. O verdadeiro “midas do samba”.

O disco “Raça Brasileira”, lançado em 1985 pela gravadora RGE, é um marco histórico. Ele não foi apenas uma coletânea, mas sim um projeto fundamental que projetou uma nova geração de sambistas talentosos, tornando-os conhecidos nacionalmente.

O álbum foi gravado de forma quase artesanal, em madrugadas de estúdio, e o resultado foi um sucesso de crítica e público, vendendo mais de 100 mil cópias na época.

O disco é um exemplo perfeito do chamado pagode de raiz e trouxe uma sonoridade mais crua e autêntica, com destaque para a percussão e o cavaquinho, que se diferenciava de outros estilos musicais da época.

Entre os principais intérpretes e compositores do álbum, estavam:

  • Zeca Pagodinho: Ele já vinha de um bom trabalho, mas o disco foi um dos primeiros a dar a ele um grande palco. Zeca participou de seis das doze faixas do álbum.
  • Jovelina Pérola Negra: Conhecida por sua voz potente e marcante, Jovelina brilhou em faixas como “Feirinha da Pavuna”.
  • Mauro Diniz: Filho do lendário Monarco, ele foi uma figura central no disco, tanto como compositor quanto nos arranjos.
  • Elaine Machado: Dona de uma voz suave e forte, ela foi uma das grandes vozes femininas do pagode de raiz e interpreta a faixa-título.
  • Pedrinho da Flor: Outro talento que ganhou destaque no álbum, com músicas como “Maravilhas do Amor”.

O sucesso de “Raça Brasileira” não se limitou às vendas. Ele solidificou a importância do pagode de raiz no cenário musical brasileiro e abriu portas para que esses artistas gravassem seus próprios discos solo, garantindo a continuidade e a renovação do gênero. A canção “Leilão”, interpretada por Zeca Pagodinho, é um dos grandes destaques e se tornou um dos clássicos da sua carreira.

Uma história riquíssima, meus amigos!

Perguntado sobre sua primeira experiência já como produtor, Milton respondeu:

Minha primeira produção musical foi com o baiano Walmir Lima. Milton se orgulha ao ter trabalhado com o artista e cita a música “Ilha de Maré”, que se tornou um sucesso na voz de Alcione.

Aproveitamos a oportunidade para falar sobre futuro, se havia algo que pudesse dizer sobre novos trabalhos:

Já está vindo aí um novo projeto “Mil tons de Manhães”, o Raça Brasileira turnê 2026. Aguardem!

Portanto amigos, aguardem que tem coisa nova com aquela raiz que só quem é da antiga pode trazer!


Por Ricardo Reis – 27 de Agosto de 2025

Local da entrevista: Bar Dona Sinhá – Cipriano Barata 3232- Sacomã

Créditos:

  • Fotos por: Jhony Uriel | Coletivo Barbane
  • Produtor do evento: Tortinho Exalta Samba
  • Organização Casa Pereira Júnior – Milton Pereira e Reginaldo Pereira (Tortinho)
  • Bar Dona Sinhá Gastronomia – Daniel (Patrocínio / Realização)

Contato para maiores informações:
11 96233-0332 Reginaldo Tortinho

@raca.brasieliraoficial
@casapereirajunior