Ataulfo Alves

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ATAULFO ALVES

O mestre mineiro que transformou a simplicidade da vida em clássicos eternos do samba

Ataulfo Alves de Sousa nasceu em 2 de maio de 1909, em Miraí, na Zona da Mata de Minas Gerais. Filho de Severino de Sousa, conhecido como “Capitão”, violeiro, sanfoneiro e repentista, teve contato com a música desde pequeno. Aos oito anos já improvisava versos com o pai. Após ficar órfão aos dez, precisou trabalhar para ajudar a família, exercendo atividades como leiteiro, engraxate, carregador e lavrador. Aos 18 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em farmácia enquanto frequentava rodas de samba.

Na década de 1930, suas composições começaram a chegar às vozes de grandes intérpretes. Com enorme talento para criar melodias simples e versos que falavam diretamente ao povo, Ataulfo tornou-se um dos compositores fundamentais da chamada Era de Ouro da música brasileira. Ao longo da trajetória, teve parceiros importantes como Mário Lago e Wilson Batista e construiu uma obra com centenas de composições.

Seu maior sucesso nasceu da parceria com Mário Lago: “Ai, Que Saudades da Amélia”, lançado no início dos anos 1940 e transformado em um dos sambas mais conhecidos da história. Vieram ainda clássicos como “Atire a Primeira Pedra”, “Mulata Assanhada”, “Laranja Madura”, “Leva Meu Samba”, “Meus Tempos de Criança” e “Na Cadência do Samba”.

Ataulfo também inovou como intérprete ao trabalhar com o conjunto vocal conhecido como Ataulfo Alves e Suas Pastoras, levando para os discos uma formação inspirada nos tradicionais coros femininos das rodas de samba. Sua música atravessou fronteiras, e o compositor chegou a representar o Brasil em apresentações internacionais.

Ataulfo Alves morreu em 20 de abril de 1969, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Deixou uma das obras mais importantes do cancioneiro popular brasileiro. Com versos aparentemente simples e melodias inesquecíveis, Ataulfo conseguiu aquilo que poucos compositores alcançam: transformar histórias do cotidiano em sambas que continuam pertencendo ao povo muitas décadas depois.

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