Demônios da Garoa
DEMÔNIOS DA GAROA
O grupo que transformou o jeito paulistano de falar em patrimônio do samba
Os Demônios da Garoa nasceram em São Paulo no início dos anos 1940, inicialmente com o nome Grupo do Luar. Formado por jovens que tocavam em festas, serenatas e encontros familiares, especialmente na região da Mooca, o conjunto ganhou um concurso de calouros da Rádio Bandeirantes em 1943. Foi nessa época que o radialista Fernando Lobo sugeriu o nome que entraria para a história: Demônios da Garoa, referência direta à cidade de São Paulo e à famosa “terra da garoa”.
A identidade definitiva do grupo seria construída principalmente a partir do encontro com a obra de Adoniran Barbosa. Os Demônios deram voz, ritmo e interpretação únicos às histórias de trabalhadores, imigrantes, malandros e personagens das ruas paulistanas. O sotaque carregado, o humor e a interpretação teatral fizeram com que músicas como “Saudosa Maloca”, “Samba do Arnesto”, “Tiro ao Álvaro” e “Trem das Onze” se tornassem clássicos nacionais.
“Trem das Onze”, lançado pelo grupo em 1965, transformou-se em sua gravação mais emblemática e em verdadeiro hino sentimental de São Paulo. A parceria artística com Adoniran foi tão marcante que hoje é difícil contar a história de um sem mencionar o outro.
Ao longo das décadas, os Demônios passaram por diversas formações e construíram uma discografia com dezenas de discos. Em 1994, foram apontados pelo Guinness como o conjunto mais antigo ainda em atividade no mundo. E a história continua: mais de oito décadas depois de sua formação, o grupo permanece nos palcos, levando seu repertório a novas gerações.
Os Demônios da Garoa são mais que um conjunto musical. São parte da memória de São Paulo — transformaram o sotaque das ruas, as histórias dos bairros e o cotidiano do povo em uma das expressões mais genuínas do samba paulista.

