Agepê
Agepê
O romantismo que conquistou o samba brasileiro
Antônio Gilson Porfírio, o Agepê, nasceu em 10 de agosto de 1942, no Rio de Janeiro. Seu nome artístico surgiu da pronúncia das iniciais de seu próprio nome — A.G.P. Antes de viver exclusivamente da música, trabalhou como técnico projetista da antiga Telerj, profissão que abandonou para seguir definitivamente a carreira artística. Também integrou a ala de compositores da tradicional Portela.
Sua trajetória fonográfica começou em 1975 com “Moro Onde Não Mora Ninguém”, parceria com Canário que rapidamente o tornou conhecido do grande público. Agepê desenvolveu uma maneira muito particular de fazer samba, aproximando a tradição do gênero de letras românticas e melodias populares, além de incorporar ao repertório influências de ritmos como ijexá, baião e afoxé.
A consagração definitiva aconteceu em 1984. A canção “Deixa Eu Te Amar” entrou para a trilha da novela Vereda Tropical e transformou-se em um enorme sucesso nacional. O álbum Mistura Brasileira, que trazia a música, alcançou cerca de 1,5 milhão de cópias vendidas, marca extraordinária para um disco de samba naquele período.
Canções como “Menina dos Cabelos Longos”, “Cheiro de Primavera”, “Moça Criança”, “Me Leva” e “Moro Onde Não Mora Ninguém” ajudaram a construir um repertório marcado pelo romantismo e pela comunicação direta com o público. Canário foi seu parceiro mais constante e esteve ao seu lado em diversos sucessos.
Agepê morreu em 30 de agosto de 1995, aos 53 anos. Deixou como legado uma contribuição fundamental para a popularização do samba romântico, mostrando que tradição e linguagem popular podiam caminhar juntas e conquistar milhões de brasileiros.

