Luiz Carlos da Vila

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LUIZ CARLOS DA VILA

O poeta do samba que cantou a raça, o subúrbio e a esperança

Luiz Carlos Baptista, o Luiz Carlos da Vila, nasceu em 21 de julho de 1949, no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, e viveu grande parte de sua vida em Vila da Penha. Seu primeiro instrumento foi o acordeão e, mais tarde, ganhou um violão. Em 1977 ingressou na ala de compositores da Unidos de Vila Isabel, período em que incorporou definitivamente o “da Vila” ao nome artístico.

No final dos anos 1970, tornou-se frequentador das históricas rodas do Cacique de Ramos, convivendo com a geração de sambistas que ajudaria a renovar o gênero, entre eles Jorge Aragão, Arlindo Cruz e Sombrinha. Sua primeira composição gravada foi “Graças ao Mundo”, pelo Conjunto Nosso Samba. Em 1983 lançou seu primeiro disco solo, produzido por Martinho da Vila.

Dono de uma poesia refinada e profundamente ligada à cultura popular, Luiz Carlos deixou clássicos como “O Show Tem que Continuar”, com Arlindo Cruz e Sombrinha, “Além da Razão”, “Doce Refúgio”, “O Sonho Não Acabou” e “Por um Dia de Graça”, canção que chegou a se transformar em um dos hinos do movimento das Diretas Já. Suas obras foram gravadas por nomes como Beth Carvalho, Alcione, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Simone e Jair Rodrigues.

Um dos momentos mais importantes de sua trajetória aconteceu no carnaval de 1988, quando participou da composição de “Kizomba, Festa da Raça”, samba-enredo que levou a Vila Isabel ao seu primeiro campeonato no Grupo Especial. A obra tornou-se um marco pela celebração da cultura negra, da liberdade e da resistência.

Luiz Carlos da Vila morreu em 20 de outubro de 2008, aos 59 anos, vítima de complicações de um câncer. Deixou uma obra marcada pela delicadeza dos versos e pela consciência de suas raízes. Não por acaso ficou conhecido como o Poeta do Samba: Luiz Carlos transformava sentimentos, identidade e esperança em versos feitos para permanecer.

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