Os Originais do Samba

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OS ORIGINAIS DO SAMBA

O suingue, a percussão e o bom humor que ajudaram a renovar o samba brasileiro

Os Originais do Samba surgiram no Rio de Janeiro no início da década de 1960, reunindo ritmistas ligados às escolas de samba. A formação clássica contou com Bigode, Bidi, Chiquinho, Lelei, Rubão e Mussum, que muito antes de se tornar nacionalmente conhecido pelo humor já brilhava como percussionista e cantor. O conjunto desenvolveu uma combinação marcante de canto coletivo, forte percussão, coreografias e irreverência.

Um momento decisivo aconteceu em 1968, quando acompanharam Elis Regina na interpretação de “Lapinha”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, vencedora da I Bienal do Samba. A projeção abriu caminho para o primeiro LP, Os Originais do Samba, lançado pela RCA em 1969. Nele estava “Cadê Tereza?”, de Jorge Ben, que se transformou em um dos primeiros grandes sucessos do grupo.

Nos anos 1970, Os Originais viveram uma fase de enorme popularidade. Sambas como “Do Lado Direito da Rua Direita”, “Esperanças Perdidas”, “Tragédia no Fundo do Mar (Assassinato do Camarão)” e “Falador Passa Mal” ajudaram a construir um repertório que unia cotidiano, malandragem e humor a uma batucada imediatamente reconhecível.

O grupo também teve importância na evolução sonora do samba. Sua combinação de coro masculino e percussão vigorosa é apontada por pesquisadores como uma das referências para a estética que, posteriormente, seria desenvolvida pelo Fundo de Quintal e por diversas gerações do pagode. Mesmo após a saída de Mussum, no final dos anos 1970, o conjunto atravessou décadas com novas formações e manteve seu repertório vivo.

Os Originais do Samba provaram que tradição e inovação podiam caminhar juntas. Com ritmo, balanço e uma alegria contagiante, ajudaram a preparar o terreno para uma nova maneira de tocar samba — e deixaram uma batucada que atravessou gerações.

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