Beto Guilherme
Beto Guilherme
O samba da periferia paulistana transformado em música
Beto Guilherme é cantor, compositor e sambista de São Paulo, ligado especialmente à Zona Leste da capital, região que se tornou uma das principais inspirações de sua obra. Sua música retrata o cotidiano da periferia, os personagens da metrópole, os amores e as situações vividas pelo povo paulistano, dialogando com referências como Adoniran Barbosa, Geraldo Filme, Germano Mathias e Paulo Vanzolini.
Sua trajetória artística começou nos anos 1980. Dessa época nasceu “Moleque de Trem”, composição que retrata os vendedores ambulantes dos trens suburbanos de São Paulo e se tornou uma das músicas representativas de seu repertório. Paralelamente ao samba, Beto construiu uma longa carreira como professor de Educação Física em escolas públicas, conciliando educação e música durante décadas.
Foi, porém, com “Agenda” que seu nome ganhou especial projeção no samba paulista. A composição atravessou gerações, recebeu novas gravações e tornou-se sua obra mais conhecida. Seu repertório inclui ainda músicas como “Os Sinos da Praça da Sé”, “Tema de Novela”, “Pagode Familiar”, “Acorda Zé”, “Quem Gosta de Samba Sou Eu” e “Moleque de Trem”.
Beto Guilherme representa uma vertente essencial do samba de São Paulo: aquela que observa a cidade a partir de seus bairros e transforma trens, ruas, trabalhadores, relacionamentos e rodas de samba em crônicas musicais. Em suas próprias palavras, seu som é o samba da periferia paulistana, carregando influências do batuque, do chorinho e do samba carioca, mas preservando os sotaques italiano e caipira característicos de São Paulo.
Sua obra ajuda a registrar musicalmente uma São Paulo que nem sempre aparece nos cartões-postais — a cidade vista e cantada por quem vive o samba em seus bairros, suas rodas e seu cotidiano.

