Martinho da Vila

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MARTINHO DA VILA

O mestre que fez da Vila, da negritude e da vida cotidiana matéria-prima para o samba

Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, nasceu em 12 de fevereiro de 1938, em Duas Barras, no interior do Rio de Janeiro. Filho de lavradores, mudou-se com a família para a capital aos quatro anos e cresceu no subúrbio carioca. Antes de viver da música, foi auxiliar de químico industrial e serviu ao Exército, onde trabalhou como escrevente e contador. Somente em 1970 deixou a carreira militar para dedicar-se integralmente à arte.

Sua história no carnaval começou na extinta Aprendizes da Boca do Mato. Em 1965, aproximou-se da Unidos de Vila Isabel, escola que se tornaria inseparável de sua trajetória e lhe daria o nome artístico. A projeção nacional veio nos festivais da Record: em 1967 apresentou “Menina Moça” e, no ano seguinte, conquistou o público com “Casa de Bamba”. Seu primeiro álbum, lançado em 1969, já trazia clássicos como “O Pequeno Burguês” e “Quem é do Mar Não Enjoa”.

Martinho construiu um dos repertórios mais importantes da música brasileira, com sucessos como “Canta, Canta, Minha Gente”, “Disritmia”, “Ex-Amor”, “Casa de Bamba” e “Devagar, Devagarinho”. Sua obra passeia ainda pelo partido-alto, samba-enredo, ciranda, frevo, samba de roda e diversas manifestações de matriz africana.

Sua ligação com a Vila Isabel alcançou um momento histórico em 1988, quando idealizou o enredo “Kizomba, Festa da Raça”, que celebrava a cultura negra e levou a escola ao seu primeiro campeonato no Grupo Especial. Além da música, Martinho construiu importante trajetória como escritor e tornou-se também um grande divulgador das relações culturais entre Brasil e África.

Com uma carreira que atravessa gerações, Martinho da Vila tornou-se uma das maiores referências vivas do samba. Seu jeito aparentemente simples de cantar esconde uma obra profunda: Martinho canta o amor, o povo, a ancestralidade e a liberdade — sempre devagar, devagarinho, mas deixando marcas definitivas na cultura brasileira.

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