Beth Carvalho
Beth Carvalho
A Madrinha do Samba que abriu caminhos para novas gerações
Elizabeth Santos Leal de Carvalho, a Beth Carvalho, nasceu em 5 de maio de 1946, no Rio de Janeiro. Cantora, compositora e instrumentista, iniciou sua trajetória influenciada pela bossa nova, mas foi no samba que encontrou definitivamente sua identidade. Em 1968 ganhou projeção nacional ao interpretar “Andança”, que conquistou o terceiro lugar no Festival Internacional da Canção e se tornou um dos primeiros grandes marcos de sua carreira.
Na década de 1970, Beth consolidou-se como uma das principais vozes do samba brasileiro. Seu repertório revelou ao grande público obras como “As Rosas Não Falam”, “Folhas Secas”, “Saco de Feijão”, “Vou Festejar”, “Coisinha do Pai” e “1.800 Colinas”, entre muitos outros sucessos. Mais do que intérprete, tornou-se uma verdadeira pesquisadora de compositores e sambas que mereciam chegar ao disco.
Essa característica lhe renderia um lugar especial na história. No final dos anos 1970, Beth conheceu as rodas do Cacique de Ramos e percebeu imediatamente a força daquela nova geração. Levou músicos daquele ambiente para o histórico álbum De Pé no Chão, de 1978, ajudando a projetar a sonoridade que daria origem ao Fundo de Quintal e influenciaria profundamente o pagode das décadas seguintes.
Ao longo da carreira, abriu portas para nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz e Fundo de Quintal, ao mesmo tempo em que manteve viva a obra de mestres como Cartola e Nelson Cavaquinho. Por essa capacidade de unir gerações, ganhou merecidamente o título de Madrinha do Samba.
Beth Carvalho morreu em 30 de abril de 2019, aos 72 anos. Seu legado vai muito além de seus discos e sucessos: Beth tinha o raro talento de reconhecer outros talentos. Quando encontrava um grande samba ou um novo sambista, fazia questão de abrir espaço para que o Brasil também os conhecesse.

