SAMBISTAS DE FATO

Vamos conhecer um pouco mais da história do nosso samba, grandes nomes, grandes artistas, grandes Sambistas de Fato!

NOSSA QUERIDA MIRIAM


Miriam Ângela Lavecchia, conhecida como Miriam Batucada nasceu no dia 28 de dezembro de 1946, em São Paulo, no bairro paulistano da Mooca, com o qual ficaria identificada posteriormente em sua carreira artística, devido ao seu modo de falar característico dos descendentes de italiano da região. Entretanto, a menina foi registrada no primeiro dia do ano seguinte, para “ganhar um ano”, conforme o costume da época, tornando-se esta a data oficial em seus documentos. Ela era neta de italianos, tanto por parte de mãe, quanto por parte de pai.

Quando tinha já 17 anos, conheceu uma menina que tinha o apelido de “Chacareira”, no salão de cabeleireiro da Dona Adelina, na Rua da Mooca: foi essa amiga de infância que lhe ensinou a fazer percussão – isto é, a batucar – com as mãos. No início, fazia apenas um ritmo lento. Mas, após 3 meses de prática, conseguia atingir ritmos muito rápidos, podendo reproduzir o ritmo no compasso de qualquer samba. Futuramente, esta seria sua marca registrada na carreira artística. Ainda, antes de tentar a carreira artística, chegou a fazer curso de digitadora na IBM e a trabalhar na Arno, tendo sido despedida por batucar com as mãos no teclado.

Oriunda de uma família conservadora, nunca assumiu publicamente ser lésbica. Em 1968, quando se muda para o Rio de Janeiro, tentando seguir carreira como cantora, foi morar com o amor da sua vida, a jornalista Flamínia, a qual também jamais reconheceu em público seu envolvimento afetivo com Miriam. Segundo depoimentos de amigos e pessoas próximas, concedidos ao biógrafo Ricardo Santhiago sob a condição de anonimato, a crise existencial da cantora se intensifica quando Flamínia abandona Miriam, para ir viver com Tania, amiga em comum das duas.

Iniciou a carreira em 1966, com uma participação no programa do apresentador Blota Júnior, na RecordTV. Apresentou-se tocando diversos instrumentos – como piano, bateria, harmônica, violão e cuíca -, além de mostrar a sua técnica de batucada com as mãos. Nas semanas que se seguiram, a jovem artista foi contratada pelo canal de televisão paulista, participando do programa da mulher de Blota Júnior, Sônia Ribeiro, bem como passando a apresentar-se regularmente nos programas de Hebe Camargo e Ronnie Von, nas tardes de sábado. Chegou a apresentar-se, inclusive, juntamente com Os Mutantes, que eram atração permanente do programa de Ronnie Von na época. Ficou famosa por ser uma espécie de “show-woman”: fazia imitações, contava “causos” e piadas, e cantava e tocava instrumentos musicais. Foi num destes programas que a apresentadora Cidinha Campos chamou-a de Miriam da Batucada, vindo a artista a adotar o nome artístico sem a preposição.

Em 1967, gravou o seu compacto de estreia com as músicas “Batucando nas Mãos” (de Renato Teixeira) e “Plác-Tic-Plác-Plác” (de Waldemar Camargo e Walter Peteléco), produzido por Roberto Côrte Real para a pequena gravadora pernambucana Rozenblit, pelo selo Artistas Unidos. O fonograma sairia também em uma compilação pela mesma gravadora, Seleção de Sucessos, lançada no mesmo ano.

No ano seguinte, muda-se para o Rio de Janeiro para tentar seguir carreira como cantora, haja vista que esta cidade era o grande polo da indústria fonográfica nacional, sendo sede das maiores gravadoras do país. Ali, lança um compacto duplo pela gravadora Odeon Records, contendo “Linguajar do Morro”; “Depois do Carnaval”; “Puro Amor”; e “Dois Meninos”. Entretanto, a alta competitividade e a popularidade relativamente baixa de seu estilo de preferência, o samba, na época, levaram ao insucesso da empreitada. Passa a viver, nesse período, de apresentações esporádicas – chegando a apresentar-se até no exterior, como nos Estados Unidos e em Portugal – e aparições em programas de televisão. Uma revista da época chegaria a publicar que ela e Ronnie Von não tinham talento algum, sendo apenas “invenções da Record”

Miriam Batucada morreu precocemente no dia 2 de julho de 1994, vítima de um infarto fulminante no apartamento onde morava sozinha no bairro de Pinheiros.

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